Como se manter são em tempos loucos

Outro dia uma amiga de faculdade me perguntou como eu consigo manter a criatividade em tempos tão loucos como estes. A verdade é: eu não sei. Não há resposta na borra de café, nas cartas, nem no horóscopo semanal (apesar de que li o meu hoje e encontrei certo conforto nas previsões dos astros — cada um se conforta como bem quiser).

Criação, para mim, é algo retroalimentado: quanto mais eu crio, mais eu vou criar, não porque fui tocada com um lampejo criativo vindo dos céus, mas porque o objeto da criação (seja ele uma foto, um vídeo, um texto) é capaz, como nenhuma outra coisa, de me tirar, nem que seja por uma hora, desse contexto no espaço-tempo em que estamos vivendo (apenas um eufemismo para este caos pandêmico desgovernado em que na nossa nacionalidade lê-se brasileirx).

Há uma magia incontestável na criação que não encontro em nenhum outro lugar. É quase como estar diante das telas de cinema (alguém aqui lembra de como é a sensação de estar em um cinema? espero que sim) e se imaginar no local do protagonista, só que na criação quem define a narrativa é você. Se naquele domingo à tarde você decidiu se transportar para uma ilha deserta cujas fronteiras a COVID nunca cruzou, você pode criar esse cenário e torná-lo quase que real em uma foto ou vídeo. O resultado, tenho certeza!, vai ter esse efeito entorpecente sobre o lado esquerdo do seu cérebro e continuar criando vai ser a consequência natural (seja como fuga, por necessidade, vontade ou obrigação, ou qualquer outro motivo pelo qual você esteja criando alguma coisa). É como uma droga, só que sem efeitos colaterais.

Copo de café gelado com livro com páginas abertas

Então, se você está se perguntando se há um segredo para se manter são e criativo em tempos loucos como estes, a resposta é: não há. Não há mesmo, e o objetivo destes e-mails certamente não é fazer você acreditar que existe algo mágico por aí que ninguém quis te contar até agora. Mas se tem uma coisa que posso te dizer é: se os dias estão difíceis, imergir em algo criativo pode tornar a passagem do tempo em algo mais suave e gentil.

A imaginação é um teletransporte, e quem não quer escapar da realidade de vez em quando? Se não podemos viajar de verdade, que possamos fazer isso dentro de nós mesmos através da arte, da fotografia, da música. O meio na verdade não importa: livros podem ser trens-bala, imagens podem ser navios, filmes podem ser aviões. Isso aí, quem decide é você.

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Escrevo sobre criatividade, direção de arte, marketing digital e o que mais vier à mente — e ao coração

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Sthefany Passos

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